O cenário da mídia digital sofre mais uma transformação significativa. A Inverse, conhecida por sua cobertura em tecnologia e cultura pop, anunciou o encerramento de sua seção dedicada a jogos, resultando na demissão de três membros de sua equipe, incluindo a vice-editora Shannon Liao. Essa movimentação faz parte de um pivô estratégico de sua proprietária, a Bustle Digital Group (BDG), que, conforme apurado, busca se reposicionar como uma “empresa de influenciadores”.
O Fim da Seção de Jogos da Inverse e as Demissões Cruciais
Lançada em 2015 por Dave Nemetz, co-fundador da Bleacher Report, a Inverse começou como um portal de tecnologia e ciência, expandindo-se posteriormente para entretenimento e, notavelmente, para a cobertura de games. Agora, a plataforma parece focar exclusivamente em filmes e TV, apagando completamente sua presença no universo dos jogos.
As demissões foram confirmadas por membros da equipe nas redes sociais. Shannon Liao, vice-editora, e o redator Hayes Madsen, ambos com um histórico dedicado à seção de jogos, expressaram sua surpresa e tristeza com a decisão. Madsen, que dedicou quatro anos à cobertura de games, lamentou a situação, afirmando ter “colocado seu coração e alma neste trabalho”. Conforme apurado, o redator Trone Dowd permanece na empresa, mas sua futura função e se ainda terá alguma relação com a cobertura de jogos permanecem incertas.
A Controversa Virada do Bustle Digital Group para “Empresa de Influenciadores”
A Bustle Digital Group, que adquiriu a Inverse em 2019, tem enfrentado um período turbulento. A empresa esteve envolvida em uma disputa judicial por supostos aluguéis atrasados, no valor de US$ 3 milhões, no início do ano passado. Posteriormente, o CEO Bryan Goldberg, também co-fundador da Bleacher Report, anunciou um período de “lucros recordes” e o fim da era de cortes de custos.
Contudo, a realidade se mostra diferente. No outono do ano passado, Goldberg apresentou aos investidores uma nova direção ambiciosa: transformar a BDG em uma “empresa de influência de próxima geração”. A ideia central é capacitar membros da audiência de moda e estilo a se tornarem influenciadores monetizáveis, concedendo-lhes acesso especial a marcas. Esta estratégia, que lembra o modelo de rede de blogueiros não pagos que a Bleacher Report pioneira, mas adaptado para o Instagram, já atraiu 12.000 candidaturas, apesar de soar “muito estranha”, como destacou a imprensa internacional. A equipe do QuestDiária observa com ceticismo a sustentabilidade e a ética de um modelo tão focado na mercantilização da influência.
O Impacto para o Jornalismo de Games e o Leitor Digital
A saída da Inverse do cenário de games é um reflexo das pressões econômicas e das mudanças nas estratégias de monetização que afetam o jornalismo digital. Para o leitor, significa menos uma voz dedicada e especializada na cobertura de jogos, um nicho que exige paixão e conhecimento aprofundados. A busca por “empresas de influenciadores” pode desviar recursos de conteúdo jornalístico tradicional e investigativo, em favor de material mais comercial e menos crítico. Nossa análise sugere que, embora a adaptabilidade seja crucial, a perda de seções editoriais focadas em temas específicos pode empobrecer o ecossistema de informação e aprofundamento que os consumidores digitais esperam e merecem.
Este movimento da Inverse e do Bustle Digital Group ressalta a volatilidade do mercado de mídia e a busca incessante por novos modelos de negócio, muitas vezes à custa de talentos e de conteúdo de nicho. O QuestDiária continuará acompanhando as implicações dessas mudanças para os criadores de conteúdo e para o público, reforçando nosso compromisso em oferecer notícias e análises de qualidade.
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